| Imprensa - Entrevistas | |||
A ponte Hercílio Luz |
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| Texto: Thiago Skárnio & Guto Lima | | FlorianópolisSC, 2000. | |||
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A ponte Hercílio Luz foi construída devido as dificuldades de comunicação entre a ilha e o restante do estado, o que causava problemas no abastecimento e no papel político da capital. Fundada em 13 de abril de 1926, depois de muito trabalho para conseguir um empréstimo de U$5.000,00 no exterior para construí-la a nova obra alterou a vida local. O número de habitantes aumentou, o antigo cemitério público que ficava na cabeceira da Ponte foi para o Itacorubi e proporcionou um crescimento social, econômico e cultural da cidade. Mas os responsáveis pela ponte se "esqueceram" de fazer a sua manutenção desde a sua inauguração até 1954. Esse tipo de construção exige uma manutenção constante devido a necessidade restabelecer a segurança das ligações, além de sua proximidade com o mar e a umidade acelerarem a sua corrosão. Pouco depois de 1954, começou-se a discutir a construção de uma Segunda ponte já que uma ponte similar havia desabado nos EUA ( deve ter sido tão bem cuidada quanto a nossa) e em 1975 estávamos com a ponte Colombo Salles pronta e não demoraria muito para a Hercílio Luz ser interditada. Hoje ela continua fechada existindo até possibilidade de cair. Uma empresa americana fez um orçamento para sua reforma e chegou a pequena quantia (perto da divida externa ) de 35 milhões de dólares e a UFSC prepara um orçamento alternativo (e mais barato!). Em maio de 1997 a ponte Hercílio Luz foi tombada ( processo de tombamento da ponte pela União, número 1.137-T-85, de 15 de maio de 1997) e junto com ela as áreas da cabeceira . O grande espaço ocioso da cabeceira insular fez surgir em 1995 a Associação Amigos do Parque da Luz, que visava transformar o terreno em área verde de lazer e protege-la judicialmente . Desde então vem organizando eventos no local e possuem vários projetos para a área. Entre os projetos da Associação está a transformação do atual museu da ponte em " Museu Escola das Pontes " com acervo da construção das três pontes, biblioteca, café panorâmico e sala multimídia, o que permitiria uma maior integração da comunidade com a cultura e a história local. Leia a seguir algumas perguntas feitas à Lúcio Dias da Silva Filho, Presidente da Associação: Sarcástico: Quando começou a funcionar a Associação Amigos Parque da Luz? Lúcio: A Associação começou em 1995 e em 1997 ela foi oficializada e apartir daí então começamos um trabalho voltado para o Parque da Luz , no sentido político e na parte legal , colocando a par as pessoas que moram no entorno e em toda a Ilha , o que é uma área verde de lazer, que ela é disciplinada por leis que até então eram desconhecidas.Estamos botando isso á tona para que as pessoas tomassem consciência do que pode e não pode ser feito em uma área verde. Sarcástico: Quando surgiu a idéia? Lúcio: A idéia de esta área ser transformada em parque já vem muito tempo atrás, desde que a ponte ficou pronta em 1926 algumas pessoas já vislumbravam essa área como área verde de lazer. A partir daí cada um tinha uma idéia mas a coisa não desenvolvia, até que ela começou a ser ocupada para circos, lazer, esporte e eventos . Hoje ainda nós temos um campo de futebol, e a comunidade está cada vez mais se aproximando, fazendo outros tipos de eventos. O trabalho da Associação dos Amigos do Parque da Luz além de defender a área judicialmente e extra judicialmente, é também fazer eventos. Sarcástico: O que havia nesta área antes da construção da ponte? Lúcio: Assim que a ponte ficou pronta, os dois primeiros cemitérios da cidade foram transferidos para o Itacorubi Era uma colina, e esta colina foi sendo utilizada para fazer os primeiros aterros de Floripa. Assim que desocupou, as pessoas tiveram a idéia de fazer uma área verde de lazer. Já vem de muito tempo essa idéia ,mas nunca houve um movimento da comunidade voltado para isso. E a Associação Amigos do Parque da Luz veio envolver a comunidade para essa proposta. Sarcástico :Houve um projeto da UFSC para o parque? Lúcio: Houve. Apartir da criação da Associação ,a UFSC e a Associação elaborou a proposta de fazer um concurso internacional para o Parque da Luz, numa proposta onde entrariam as duas cabeceiras da ponte Hercílio Luz , continente e a ilha, a ponte como passarela e um parque marinho embaixo, com orlas marítimas livres de obstruções. Foram apresentados entorno de 60 projetos, de onde foram classificados 10 e tirados os 4 primeiros colocados. Esses projetos estão a disposição das pessoas que queiram conhece-los na UFSC. Sarcástico: Como fica a cabeceira da ponte no continente já que está praticamente toda ocupada? Lúcio: Existe a possibilidade de um remanejamento dos elementos que estão na cabeceira , contemplar com um projeto de arborização e uma escola de belas artes que Florianópolis não tem . Sarcástico: Como estão as construções irregulares nas cabeceiras? Lúcio: O que acontece é que a ponte Hercílio Luz é hoje tombada pelo município, estado e União. Os tombamentos municipal e estadual não oferecem as condições necessárias e legais de defesa do patrimônio histórico e cultural. Por isso a necessidade do federal, esse sim delimitou uma área grande de proteção onde as duas cabeceiras e as laterais estão protegidas. Então houve a interferência imobiliária , que nos seguramos algumas coisas e outras foram inevitáveis pois o processo já vinha caminhado a algum tempo. O IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que é o órgão responsável pela fiscalização dos bens tombados, autorizou de uma forma estranha a construção de duas obras, uma na cabeceira insular (centro comercial) e a outra na cabeceira continental (Boulevard Hercilio Luz). Mas estamos contestando na justiça. O centro empresarial está construído dentro do conjunto histórico Rita Maria, tombado pelo decreto 280/86 da prefeitura do Edson Andrino. Neste conjunto é tombado além das casas açorianas, a vegetação, e esta obra vem violentar o tombamento. Do outro lado da ponte, é o edifício Boulevard Hercílio Luz, da construtora RDO.A poucos meses atrás descobrimos que está em cima de um forte deteriorado. A administração publica não teve o mínimo interesse de construir ou restaurar o forte, alem de que nada poderia concorrer verticalmente com a Ponte dentro da área tombada. O edifício está dento da área tombada e está descaracterizando o patrimônio. Sarcástico: Qual a atual situação da ponte na sua opinião? Lúcio: Foi iniciada recentemente uma pequena reforma no viaduto insular, que vai da cabeceira insular até a primeira torre. A idéia é que as pessoas posam passear por essa parte. Mas a parte técnica dela está comprometida com a segurança, com a instabilidade ,por desmazelo, falta de manutenção e negligência. "É importante que as pessoas dêem mais importância as áreas públicas e áreas verdes de lazer. E não é só a questão do Parque da Luz, nós temos a Ponta do Coral e a Ponta do Lessa. Hoje existe nessas áreas uma placa como propriedade privada. Mas em se tratando do espaço da Beira Mar, esses braços prolongados em direção ao mar estão imediatamente integrados ao passeio público, onde todo cidadão tem o direito de sentar ler um livro e relaxar." "Estamos lançando este ano a proposta "meninos do parque", que envolve meninos de rua para trabalhos de educação ambiental e ciência. E temos uma série de programações. É importante que as pessoas se envolvam nesse processo de montagem do parque , já que faltam menos de 10% para a questão legal do parque se concretizar. Daí pra frente é discutir propostas de ocupação do espaço." "A manutenção e limpeza do parque , como é uma área pública, a COMCAP de veria incluir numa programação de limpeza da cidade. Nós fizemos já três ofícios par a COMCAP pedindo que seja feito um calendário de limpeza da área. Atualmente quem tem feito manutenção é a Associação. O importante é que se mantenha a área limpa, de uma forma que as crianças possam vir brincar com segurança." "Nas últimas décadas do século XIX, a população , sua vida econômica e social tinham evoluído a tal ponto que era necessidade regularizar o transporte de mercadorias e de pessoas, com a contratação de serviços de balsas. Evoluíram também as técnicas de construção que permitiram a construção da futura ponte. Convém esclarecer que a população ainda não pensava em pontes , mas tão somente em regularizar o serviço de balsa e o transporte aquático" PELUSO JR , Victor A. / A Ponte Hercílio Luz e a expansão de Florianópolis - Revista Santa Catarina Filatélica ,página 111. Outro projeto é a Oficina da Luz transformando um espaço tombado que é utilizado como oficina mecânica da prefeitura em um espaço aberto de cultura com oficinas de renda, olaria, desenho e outros.
Associação Amigos do Parque da Luz - Fone:225-4085 EMAIL : ela.mar@zaz.com.br
Livro: Hercílio Luz , Uma ponte integrando SC Autora: Djanira Maria Martins de Andrade - Editora da UFSC
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